Perguntas mais freqüentes


1. Nunca fui publicado, mas tenho um texto que acabo de concluir há pouco tempo. Preciso de um agente literário?
Sua obra necessita, inicialmente, de uma leitura crítica. E se ela for realizada por uma agência literária, a obra poderá entrar na relação dos autores e obras representados pela agência. Contudo, se você optar por enviar seu texto diretamente a uma editora, a leitura pode ser feita por um editor, e ele pode decidir publicar – ou não – o seu texto.

2. Enviei minha obra a várias editoras, mas acho que muitos nem leram. Preciso de um agente literário?
Os agentes literários têm critérios para selecionar com quais obras querem trabalhar e sabem o que oferecer a cada editora. Os autores percebem que isso facilita a leitura de sua obra por um editor, mas têm consciência de que esse processo não garante a publicação dos textos. De toda forma, o agente literário é a pessoa que sabe o que cada editora está comprando em termos de obras nacionais e internacionais; e, conhecendo os interesses passados e atuais do mercado editorial – e os de cada editora em particular – pode fazer o livro certo chegar nas mãos interessadas em lê-lo.

3. Tenho algumas obras publicadas. Entre as editoras com que trabalho, umas são ótimas, enquanto que, com outras, a relação é muito tensa. Preciso de um agente literário?
Essa é uma decisão muito pessoal. Há autores que desejam apenas desenvolver seus projetos e escrever. Outros, no entanto, têm facilidade para escrever, negociar contratos e acompanhar os pagamentos de direitos autorais.
O que o agente literário pode fazer - e muito bem - é vender obras, negociar contratos e acompanhar os pagamentos dos direitos autorais das obras inéditas e publicadas. O autor, assim, continua se relacionando com seu editor, enquanto a agência cuida da parte jurídica e contábil.

4. Quanto preciso pagar para um agente literário?
O padrão internacional é que os agentes literários ganhem uma porcentagem do que o autor ganha de direitos autorais. Essa porcentagem varia entre 10% a 30%. Por exemplo, se o autor ganha R$ 1,00 de direitos autorais (por livro) a divisão seria: de R$ 0,90 a R$ 0,70 para o autor e de R$ 0,10 a R$ 0,30 para o agente literário. Varia de agência para agência cobrar também os custos de correio, telefonemas, fotocópias e transporte.

5. Sou herdeira ou herdeiro das obras de um autor. Preciso de um agente literário?
Esta decisão é pessoal. Existem herdeiros que sabem vender, negociar contratos e receber os pagamentos de direitos autorais.
Outros preferem transferir essas funções a um agente literário. Como diversos outros tipos de herança, as obras herdadas são um negócio particular. Por exemplo, para uma pessoa que nunca vendeu ou comprou um imóvel seria difícil administrar sozinha uma herança imobiliária.

6. Se o agente literário não garante a venda da minha obra para uma editora, porque tenho de pagar a leitura crítica da minha obra?
Sua obra precisa ser lida. Sem o referencial da leitura feita por um profissional de confiança do agente literário, este não se sentirá seguro para oferecer seu trabalho ao mercado editorial. Há agências que, devido ao seu método de trabalho, conseguem fazer a leitura sem custos para o autor. Outras optaram por usar uma equipe de pareceristas (leitores) que já atuam em editoras, e que são contratados, mediante a demanda, para esse serviço. A leitura garante que o autor tenha uma avaliação por escrito, que destaque pontos fortes e frágeis de sua produção. Diferentemente da avaliação feita por amigos, a leitura crítica, ainda que seja subjetiva, pode fornecer elementos importantes para que o autor venha a ser editado, ou comece a repensar sua produção textual.

7. Tenho algumas obras escritas de poesias, contos, novelas e até ensaios. Os agentes literários trabalham com todos os tipos de obras?
Não. No Brasil, as agências selecionam determinadas áreas de conhecimento, tais como literatura, administração, esotéricos etc. Umas recusam um ou outro tipo de texto, assim como há editoras que só publicam ensaios das áreas de humanas e outras que só publicam livros técnicos.

8. O que é mais difícil? Publicar o meu livro ou ter um agente literário?
Se considerarmos que existem cerca de 3.000 editoras e nem mesmo dez agências literárias no Brasil, numericamente, encontrar uma editora parece fácil. Contudo, algumas editoras chegam a receber, por mês, mais de 500 obras, entre nacionais inéditas e estrangeiras. Diante disso, pode-se perceber que a seleção de sua obra não será tão fácil assim. Há, no entanto, todo tipo de acordo para que um livro venha a ser publicado. Uns autores participam dos custos de produção, quando são editados por pequenas editoras. Outros têm a remuneração paga com parte da edição. No entanto, esses acordos – que fogem da regra de pagamentos de direitos autorais – raramente são negociados por intermédio de um agente.
Enfim, são muitos os aspectos entre autor, agente e editor a serem considerados. Ou seja, na relação entre autor, agente e editor há muitas variantes que precisam ser avaliadas; e num mercado inseguro como o brasileiro, o agente é uma garantia adicional de que o autor será remunerado de maneira justa pelo seu trabalho.

9. Já tenho a minha obra representada por agente literário, mas desejo trocar de agência. É possível?
Apesar disso acontecer muito no exterior, no Brasil não é algo comum, pois as opções são poucas. No entanto, trata-se de uma opção legalmente possível. Isto é, como qualquer contrato, aquele firmado entre um autor e seu agente também pode ser revisto ou encerrado.

10. As obras dos autores são publicadas pela ordem que foram escritas?
Não necessariamente. Muitas vezes, uma primeira obra não passa pelo crivo dos editores, mas, tempos depois, quando o autor oferece outro original, este pode despertar a atenção do editor, abrindo o caminho para a publicação de todos os seus livros.
Normalmente, quem determina a ordem de publicação é a editora. Ela entende mais sobre o mercado e, por isso, têm mais informações sobre qual seria a obra mais bem recebida. Na verdade, a editora precisa ter certo controle sobre a edição do livro para que a venda se concretize. E o autor precisa confiar no editor para que a parceria dê certo. Do contrário, até uma boa obra pode ser condenada ao fracasso. Obviamente, o autor será consultado em todas as fases da produção e da comercialização da obra.

11. Os autores são facilmente reconhecidos pela imprensa, críticos e professores?
O reconhecimento público de um escritor é um caminho tortuoso, no qual confluem várias forças: o marketing das editoras, o interesse dos críticos, o gosto popular, a relação das editoras e do autor com a mídia etc. Muitos grandes escritores foram recusados seguidas vezes por editoras, para depois serem reconhecidos. E vários outros, apesar de serem publicados, só conheceram a fama após muitos anos. Cabe ao escritor, no entanto, dedicar-se a escrever e empenhar-se em tornar pública a sua arte. E cabe ao agente literário lutar pelos autores que decidiu representar, tentando garantir, por parte do mercado, o empenho que a obra publicada efetivamente merece.
O livro do autor é um produto intelectual. Quem consegue publicar uma obra passa a gozar de certa aura de ideólogo, comunicador especializado sobre determinado assunto e pode se tornar referência para milhares de pessoas. Para que tudo isso aconteça tem de haver uma conjunção dos fatores citados acima. Há autores que não dão entrevistas e se tornam celebridades; outros que aparecem o tempo inteiro e são reconhecidos por suas opiniões. Outros não conseguem qualquer outro reconhecimento público, mas, o fato de ter uma obra publicada favorece sua atividade profissional.

     

 

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