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Assim como as múltiplas e diversificadas profissões, no mundo todo, o agente literário faz parte de um setor específico dentro da cadeia de comércio global - o mercado editorial. Este, por sua vez, também representa o micro em relação ao macro, o que significa, portanto, que o mercado editorial brasileiro em geral deve ser questionado e reformulado para ser compatível com o tempo presente, de acordo com a realidade do país, de prática, e guiado por algo bem maior que as exigências do "mercado globalizado", o qual estimula a concentração de capital, de conhecimento e principalmente de decisões.
A "contemporânea" condução das políticas públicas e privadas no Brasil, alimentadas de modo equivocado e, portanto, ineficaz, pela fé crescente na integração das economias e das culturas dos vários países, trazem à tona nossas mazelas mais arcaicas como a seca, a desigualdade social gritante, o baixo índice escolar e cultural que, banalizadas pela política e prática do mercado, parecem não ser levadas a sério. De um lado, a afirmação de alguns intelectuais pela integração e circulação livre de mercado em nome do desenvolvimento, sem idéia do que se quer como fim, sem esclarecimentos sobre os meios. De outro, a luta legítima dos que procuram mostrar as agruras das diretrizes fixadas, como sujeitos imprescindíveis nas transformações sociais e econômicas que são creditadas em seu nome.
Ocasionalmente, as antigas causas humanitárias retornam sob novas roupagens, devido à óbvia redescoberta (não só por poucos) da importância do indivíduo e do seu papel na sociedade - ainda que seja lembrado como consumidor. Adquirem elas novos propósitos e passam a ser questões fundamentais, principalmente em países ditos periféricos, onde "os pobres não podem deixar de ser pobres". É razoável aceitar que essa "redescoberta" do sujeito não esteja sendo feita (por muitos) pela compreensão do fundamental, mas imprescindível encontrar nesta brecha de oportunismo e ou caudatário um rumo mais digno.
E o agente literário nisso tudo?
A introdução faz-se necessária, pois o mercado de atuação do agente literário no Brasil, segundo dados do censo 2000, é da ordem de 86 milhões de pessoas, num universo de 171 milhões, que têm acima de 14 anos, mínimo de três anos de escolaridade e acesso restrito, ou nenhum, ao livro. Assim, volta-se ao tema latente no Brasil e em outros países da América Latina, nos quais apesar de o mercado editorial, em termos de variedade de títulos editados, nacionais e internacionais, equiparar-se ao europeu, movimenta um montante irrisório em tiragem e distribuição (por ainda encontrar o obstáculo da ausência e da formação de leitores), e o pouco investimento nos canais que tornam disponíveis os livros para a sociedade. Este profissional, pouco conhecido no Brasil
– não chegam a uma dezena os agentes e agências literárias nacionais e internacionais aqui
instaladas –, tem presença consagrada em países como Estados Unidos, onde cada autor tem seu agente, e na Europa, onde este profissional é bem procurado para mediar as relações de venda de direitos autorais e editoriais nos mercados interno e externo. A explicação compete ao tamanho e ao retorno alcançado pelo mercado editorial dos referidos países, como dito acima, mas mudanças vêm ditando o rumo do mercado, principalmente por dois fatores: a atual política comercial do setor editorial no mundo e as características próprias de prática do país. É sabida a prática conservadora de nossas casas editorias, que ainda são empresas familiares e assim concentram as decisões numa figura central, o pai-editor, que dotado de alto conhecimento cultural sabe adotar critérios qualitativos e comerciais para suas publicações. Entretanto, esta figura, com a crescente profissionalização do mercado, vem desaparecendo. No Brasil este fenômeno é recente com as atuais aquisições das casas editoriais, mas nos Estados Unidos e Europa esta realidade já produz efeitos terríveis para a cultura em geral. Um exemplo é o grupo Random House, nos Estados Unidos, uma grande companhia que concentra a maioria dos títulos publicados no país, lesando diretamente o escritor e o próprio mercado editorial, pois esta prática tem reduzido o número de títulos publicados anualmente. Assim, quando uma editora reduz o número anual de novos títulos, a lógica comercial leva a optar por títulos mais seguros, de êxito mais provável e menor risco comercial - os
best sellers. Este critério de seleção de títulos, que então passa a ser adotado, acaba prejudicando a qualidade literária, que perde em inovação e em diversidade cultural. O que vemos como resultado são as políticas usadas pelas grandes editoras, que acabam deixando a cargo de departamentos comerciais as decisões de contratação que ficavam antes com a área editorial. O agente literário atua, então, neste cenário que parece promissor ao eliminar das casas editoriais pessoas dotadas de conhecimento cultural que decidiam e cultivavam o contato direto com o autor e sua criação. Este profissional, além de ser um farejador do que é aceito e quando pelo mercado, aconselha os autores, tanto novos talentos como já consagrados, prestando serviços de venda e administração da cessão dos direitos autorais, facilitando a comunicação com editores e representando as duas partes no mercado nacional e internacional.
Mas... e a aceitação do agente no mercado editorial brasileiro?
Entretanto, nem tudo é tão simples. Entrevistamos alguns agentes literários do Brasil, que também prestam serviço para o mercado externo, pretendendo uma análise das práticas atuais do mercado editorial e suas complexidades no contorno nacional. Nas entrelinhas das dificuldades reais que enfrentam estes profissionais no Brasil, pelo péssimo índice de leitura e conseqüente não-valorização do autor brasileiro, este fica sujeito às terríveis práticas de um mercado ainda fechado, que, preso em atitudes conservadoras, detém a dinâmica das relações.
Sob o foco então do agente literário, por exigência da qualificação profissional, uma vez que subentende a necessidade da somatória de qualidades como cultura, talento para negócios, sensibilidade, tino comercial/empreendedor entre outras, percebe-se que as dificuldades deste profissional perpassa pelo reflexo do que realmente é valorizado no país.
Entre as respostas veladas e outras nem tanto, as entrevistas revelaram que em "Terra Brasilis" o mercado editorial parece pensar, pois age como ser soberano e como tal, dita as regras - ora alicerçadas nos fenômenos equivocados da "mundialização" ou dos falsos e eternos clichés da falta de leitores, índices altos de analfabetismo, custos elevados de produção, problemas de cultura local
etc. etc., ora por obrar em padrões "preestabelecidos". A falta de difusão da informação, principalmente no que condiz ao montante de dinheiro que movimenta o mercado, pois são seletos grupos/instituições que a detém, e conseqüentemente podem manipular e explorar como bem lhes convier. Na maioria dos casos - há sempre as exceções, mas essas não são o bastante para caracterizar o mercado - os pagamentos em geral (acertos, comissões etc.) não são feitos nos dias aprazados, prevalece a ética do dinheiro (existem até "justificativas contratuais" como os leilões: livros muito cotados para venda ou compra de direitos).
Não existem meios legais, portanto não existe transparência quanto aos valores e números sobre o que foi vendido e é devido: as chamadas "prestações de contas" são feitas ao bel prazer - não se discute se há ou não contas a acertar. A questão é a sua realização, em datas preestabelecidas entre os envolvidos. Dando continuidade a essa extensa lista de fatos e demonstrações de corporativismo do mercado, é insignificante a contribuição (em todos os aspectos) para a disseminação da leitura, formação de leitores e conseqüente difusão da língua e sua literatura. Não serve como modelo participativo (este tipo de intercessão é comum) a atuação de editores em programas como o recém-lançado "Leia Brasil", plano da Secretaria de Educação em parceria com o governo do estado de São Paulo, em que as escolas públicas serão beneficiadas com livros não-didáticos ou paradidáticos - porque nesse(s) caso(s) exercem o papel de fornecedores. Isto é, possuem a garantia do lucro. Outro exemplo pode ser fornecido com a atitude do organizadores da X Bienal Internacional do Livro, em transformar um acontecimento significativo em um evento de entretenimento. O argumento comunicado foi o da expectativa de atrair um público maior: mas se por isso, shopping centers cumprem a função com eficácia. Capturando ainda episódios da X Bienal do Livro como exemplificação, foi em relação à quantidade de profissionais que prestigiaram os eventos que geram divulgação na mídia (Prêmio Jabuti, encontros ocorridos com personalidades de destaque no café literário) e a ausência, quase total, em discussões como as destacadas - disseminação da leitura, geração de leitores e difusão do livro. Práticas que ocorrem há anos parecem ser inerentes ao mercado editorial, com a justificativa de serem exercidas internacionalmente. Será que isso não demonstra o quanto é necessário avançar, evoluir e transformar para fazer jus à competência cultural atribuída aos profissionais, aos envolvidos direta ou indiretamente e aos empresários do setor? Ou trabalhar com a cultura em nosso país não significa maior consciência?
Essa matéria é publicada com o propósito de incitar os empresários do mercado frente à realidade, e instigar o livre pensar e agir dos de boa fé a não compactuar e, assim, jogar um jogo viciado. Com a desculpa da pobreza, nosso governo tolera cada dia mais o uso indiscriminado de fotocópias em todos os níveis de instrução, o que determina o não-desenvolvimento da indústria editorial e das livrarias, e dificulta a profissionalização do escritor ao impedi-lo de receber seus direitos sobre a obra. |
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Em entrevista a quatro agentes literárias, perguntamos: |
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| 1. |
Quais são as bases do trabalho de Agenciamento Literário, ou em que fundamentos ele se sustenta? |
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Quais as diferenças existentes em função das características próprias de mercado e outros fatores entre Brasil e EUA? |
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| 3. |
Comentar sobre o relacionamento junto aos autores e editoras. |
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| 4. |
Quais as dificuldades mais constantes? (Geral, incluindo o mercado externo e interno.) |
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Existe ética? É praticada? |
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Regras e exceções (resposta livre). |
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| Entrevista com a agente literária Karin Schindler |
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| 1. |
As bases do trabalho de agenciamento literário são a administração dos direitos de tradução. |
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| 2. |
A diferença é que no Brasil temos poucas livrarias. O livro proporciona prazer. E isso não é divulgado. Ele pode ser comparado a um "bem durável". Você adquire e pode guardar para o resto da vida. Pode ler, reler, usar alguns trechos, enfim, fazer o que quiser. Além do prazer que o livro proporciona, ocasionando mudança de vida - ver o mundo com outros olhos, sentir-se menos solitário, conhecimento etc. |
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| 3. |
Como trabalho basicamente com as editoras, acredito que um bom relacionamento se faz quando a editora é rápida na definição sobre o livro apresentado, devolve o contrato assinado e efetua o pagamento. |
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| 4. |
Sobre as dificuldades, acredito que uma delas é falar com o editor e a outra são as constantes cobranças (junto às editoras), tarefa imposta aos agentes literários, que acaba por tirar o prazer do exercício da profissão. (Segundo a agente, em 30 anos de profissão, só não precisou fazer "follow up" para cobrança de uma única editora). |
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| 5. |
Existe ética e deve ser praticada. |
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Existem mais exceções. Esse é um trabalho extremamente individual. todos são indivíduos (autores, editores, agentes) e têm características diferentes, sendo preciso sempre considerá-las. |
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| Entrevista com Marisa Moura, da Agência Literária Página da Cultura |
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| 1. |
As agências literárias prestam serviço na venda e na administração da cessão dos direitos autorais para publicação em geral, e representam autores e editoras no mercado nacional e internacional. |
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| 2. |
Os agentes são remunerados com porcentagens que variam de 10% a 20% sobre os ganhos de seus clientes. Basicamente, se o preço contratado do livro for de R$ 10,00, o cliente ganha R$ 0,90 e o agente ganha R$ 0,10.
O trabalho dos agentes literários pode abrir inúmeras possibilidades, tanto para autores inéditos, que ainda desconhecem o mercado, como para autores consagrados, com agenda sobrecarregada de contratos e recebimento de direitos. Uma agência literária pode ser a alternativa econômica também para os editores que desejam ampliar suas vendas em outras áreas, principalmente no mercado editorial do exterior. O mercado de venda de direitos autorais de texto abrange enorme gama de possibilidades classificadas como: direitos sobre edição, direitos de tradução, de personagens, merchandising, direitos para tv, para filmes, teatro, para mídias eletrônicas e direitos para edição no exterior. Em relação às variantes nos EUA, que representam um modelo de mercado muito maior e mais complexo, relaciono as seguintes:
first serial rights, trade hardover rights, second serial rights, trade paperback rights, mass-market paperback rights, book club rights, "subclub" rights, photocopy edition rights, anthology & textbook permissions, limited edition rights, cheap hardcover reprint rights, condensed-version rights
– com certeza, devido às novas tecnologias poderíamos acrescentar mais opções.
O mercado americano de agentes literários é complexo e setorizado, como o europeu, e não há como estabelecer comparação com o brasileiro em relação ao que movimentam. Por estas duas razões, o respeito e/ou reconhecimento pelo trabalho do agente nos EUA ou Europa são mais difundidos e consolidados do que no Brasil, tanto entre os autores como no caso dos editores. Enquanto nos dois mercados existem centenas de agentes, o (mercado) brasileiro possui apenas uma dezena de agências, considerando-se as empresas ativas e sediadas no país. |
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| 3. |
Os agentes literários buscam e valorizam a formação de parcerias, nas quais todos os envolvidos saiam ganhando. Os agentes oferecem sustentação ao trabalho de autores, como profissionais sempre atualizados sobre as questões administrativas e jurídicas dos negócios com os quais trabalham. Em alguns casos, essa relação ultrapassa a rotina comercial, desdobrando-se em amizade e cumplicidade desde a criação à gerência da obra. Os agentes literários trabalham para otimizar o trabalho dos editores, enviando títulos pré-selecionados e avaliados, ou mesmo encomendados, que atendam suas linhas editoriais e, ainda, têm o suporte dos agentes para completar seus arquivos de informações sobre os livros e autores contratados. |
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| 4. |
Na Página da Cultura temos um bordão sobre o que entendemos ser a pior das dificuldades: "Quando o homem descobriu-se criador da idéia, ficou mais fascinado com as oportunidades para mudar de idéia". Neste sentido, autores e editores por razões pessoais, conceituais, econômicas, políticas etc. às vezes alteram os projetos e planos editoriais já contratados, e na maioria das vezes até pagos anteriormente. Essas decisões sempre deixam os agentes entre as explicações fragilizadas. |
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| 5. |
A Página da Cultura, parafraseando Teixeira Coelho em Dicionário Crítico de Política e Cultura (editora Iluminuras), procura criar e facilitar as condições para que autores e editores (ou outros envolvidos) inventem e realizem seus próprios fins no interior de uma finalidade coletiva maior: a publicação da obra.
Assim, as garantias para que as negociações de direitos autorais terminem sempre satisfatórias dependem do bom senso e da ponderação sobre as especificidades de cada caso, por todas as partes envolvidas. |
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| 6. |
O mercado faz das exceções as suas regras. Da apresentação do texto e ou da encomenda da obra até a venda dos livros, todos os casos parecem singulares e ímpares. Os fatores de sucesso ou fracasso dependem de cada contexto dos elementos escolhidos: autor, organizador, tradutor, editor, tema trabalhado, ponto de vista abordado, agente literário, momento escolhido para publicação, projeto gráfico, reconhecimento da coleção, credibilidade do seu editorial, divulgação, imprensa, distribuição, lançamento, preço de capa etc.
Apesar de cuidadoso planejamento, o livro ainda surpreende, enquanto produto cultural cheio de suas especificidades. |
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| Entrevista com a agente literária Lúcia de Mello e Souza |
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| 1. |
O agenciamento literário serve para dar aconselhamento a autores e facilitar a comunicação com seus editores. O agente não serve apenas para preparar ou negociar contratos. Serve para ligar os pontos, tirar dúvidas de ambas as partes, resolver os impasses, amortecer as relações. |
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| 2. |
Nos EUA o mercado é fortíssimo, mas basicamente voltado para dentro. O americano praticamente não lê livros estrangeiros. Por outro lado, pensam que qualquer coisa publicada em inglês, escrita por autor americano, tem potencial de venda no exterior. Todo autor americano tem seu agente literário.
Na Europa, o mercado é também forte, mas bem mais interessante e aberto para as mais diversas culturas - inclusive a brasileira. A figura do agente é forte em países como a Espanha e a Alemanha, mas praticamente inexistente na França, por exemplo.
No Brasil temos um número significativo de editoras profissionais, boas, com boa reputação no exterior, comparadas às melhores do mundo. Em termos da variedade de títulos lançados (tanto nacionais como estrangeiros), somos fortíssimos. Em termos de tiragem, venda e distribuição a situação se inverte - realmente ainda há muito o que fazer para se atingir o público de forma mais eficiente, consistente. O agenciamento literário ainda é raro - são poucos os profissionais em atividade. |
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| 3. |
O relacionamento do agente com seus clientes/autores deve ser o mais próximo e amigo possível. Deve haver grande confiança e cumplicidade. É trabalho de longo prazo: pode passar por fases distintas, altos e baixos, sucessos e fracassos, riscos, dúvidas... Daí a confiança ser fundamental.
O agente pode e deve ser também amigo dos editores. Precisa conhecer de perto a linha de cada casa, saber o que interessa a cada um, entender seus problemas e aflições. |
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| 4. |
Destacaria como principal dificuldade a instabilidade da economia brasileira. As variações do dólar, dos juros, das regras, os altos impostos, as crises variadas - tudo isso leva o mercado editorial à loucura. |
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| 5. |
A ética existe, e é fundamental nas relações do mercado. Antes de os contratos serem assinados existem as negociações com características próprias, os apertos de mão, as opções morais etc. Quem entra no mercado tem que aprender a dar valor aos acertos informais, a todo um código de conduta que exige elegância, discrição e confiança. |
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| 6. |
Em vez de falar de regras ou de exceções, falarei de sonhos: ver o autor brasileiro valorizado ainda mais no Brasil e celebrado no exterior. Sucesso para todos nós! |
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| Entrevista com a agente literária Flavia Sala, da Internacional Editor'co |
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| 1. |
O trabalho do agente literário está intimamente ligado à relação de confiança entre o autor e o agente. O agente deve dar o suporte necessário para que o autor desenvolva seu trabalho com tranqüilidade e negociar os direitos desse trabalho de modo mais vantajoso para seu cliente. Como disse anteriormente, meu trabalho é muito mais de co-agente de editoras estrangeiras no Brasil, do que um relacionamento mais profundo com os autores, tanto nacionais como estrangeiros. Nesse sentido eu diria que meu trabalho tem por objetivo conciliar os interesses tanto do editor/autor estrangeiro com o do editor brasileiro, para que todos cheguem a um acordo (nem sempre fácil) para publicação de uma obra. |
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| 2. |
O agente americano/europeu em geral tem mais contato com seu autor, inclusive influenciando em seu trabalho e até dando suporte financeiro em muitos casos. No Brasil, este relacionamento está a cargo das próprias editoras (principalmente no caso de autores brasileiros) que cuidam de seus autores da forma que um agente americano/europeu faria. O agente americano/europeu também tem condições de investir em um autor que ele considere promissor, fato que não acontece no Brasil, dada a dimensão reduzida do mercado, se comparado aos mercados europeus e americano. |
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| 3. |
Como disse anteriormente, meu relacionamento é muito mais intenso com editoras do que com autores. Esse relacionamento, tanto com editores estrangeiros como com brasileiros, é muito cordial e se baseia, sobretudo, na confiança mútua. Aliás, não se pode trabalhar de outro modo, pois o editor estrangeiro deve confiar plenamente no julgamento de seu co-agente local quanto à idoneidade e à qualidade locais. Assim, o agente deve até recomendar que os direitos não sejam vendidos caso haja alguma dúvida quanto ao editor local, fato, aliás, raro de acontecer (mas que acontece, acontece...). |
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| 4. |
Quanto ao mercado interno, a maior dificuldade é convencer os editores a fazerem as prestações de contas, mesmo que negativas; isto se deve à memória do tempo da inflação, quando raramente havia algum royalty a ser pago devido à rápida desvalorização de nossa moeda. Outra dificuldade do mercado interno é conseguir que os editores devolvam os exemplares de leitura que não pretendem publicar; o agente tem que penar constantemente para receber tais livros de volta para que outros editores possam analisá-los. E, claro, a dificuldade em receber o adiantamento faz parte da rotina, embora a maioria das editoras pague corretamente, conforme estipulado nos contratos. Em relação ao mercado externo, a grande dificuldade reside em convencer os editores que o Brasil não é um grande mercado, se comparado aos Estados Unidos ou Europa, apesar de suas dimensões e população; eles querem receber um adiantamento absolutamente incompatível com a nossa realidade, o que atrasa muito na hora de fechar um contrato. Alemães e espanhóis são os que menos se preocupam com o aspecto financeiro e muito mais com a qualidade do catálogo do editor local. |
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| 5. |
Eu acredito, sem sombra de dúvida, que a ética faz parte do caráter do indivíduo, e não da profissão que ele exerce. Quando comecei a trabalhar no mercado editorial eu tinha a idéia romântica (melhor dizer estapafúrdia) de que a ética imperava em todas as relações e o respeito dos editores era absoluta; pura ilusão. Logo percebi que estava me iludindo; a ética existe no mercado editorial e é praticada, talvez acima da média de outras profissões, mas também a falta dela pode ser sentida nesse mercado. |
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| 6. |
Como co-agente eu deveria me envolver apenas com a venda de direitos autorais estrangeiros no Brasil; mas eu me preocupo com a qualidade do que é publicado aqui e gostaria que nossas editoras também se preocupassem com a sua função social, pois elas também fazem parte da mídia, e o que publicam influencia seus leitores. Eu sei que muitas editoras vão argumentar que já fazem isso, e fazem mesmo, mas eu acredito que muito mais pode ser feito. |
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